quinta-feira, 2 de setembro de 2010

REFLEXÃO

Ponto.

Acento.

Traço,

Refaço o traço

no ponto do ônibus.


Sujeito.

Objeto.

Predicado.

Refaço oração,

pedindo perdão.


Mexo na frase,

mudo o acento,

sublinho

com um traço.

Estou no atraso.

Como tarda o ônibus !


Entro, subo e tomo o assento.

Traço o trajeto

No ponto do ônibus.

Veloz sensação, refaço

A ação !

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

SER POETA

Ela, sempre Ela!

Antes de ser “Anabela” perfeita,

é a professora do verso

e da poesia escorreita.


Corta letras, acrescenta expressões,

Retoca um pouco mais;

dá uma pitada de otimismo:

“Que versos!”

e me deixa em paz.


Ó Poetisa! Ser poeta é apenas

Saber rimar ?

Não; também, saber sonhar.

Podemos pôr um pouco de

sentimento, sem volume ou

dimensão, vamos ver:

sem peso e sem medo

de errar o português

ou o Português ofender?


Quero ser poeta.

Se possível, razoável.

Ou por que não o melhor ?

(Ironia! Eu nunca bateria

Castro Alves e Camões!)

Chegarei em algum lugar,

pois agora tenho

o Dicionário de Rimas

que a orientadora ofertou.


São tantas rimas: 515 páginas !

Fitogeografia rima com fototipia;

Acenso, apenso, ascenso;

tricéfalo, tricocéfalo e

Itacoatiara com sulfatara. Ufa !


Ser poeta é expressar a

Beleza das coisas com poucas palavras.


Ser poeta é saber rimar.

Há muita metafísica,

intrínseca na vida do poeta,

se ele versa e conversa

com palavras criadas no coração,

sem tentar a criação mudar.

Serei poeta, se ela me incentivar.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

LUDOVICO

Há poucos amigos

na vida de cada um.

Dois, três, quatro ou cinco talvez;

difícil chegar aos dez dedos !


Amigos certos, presentes,

Sem culpa, sem defeitos,

Amigos Maçons e

genuinamente: amigos.


Novos amigos de infância

Ou velhos amigos de colégio.


Em 1968 conheci o Ludovico:

alemão, alto, voz firme,

duro nos argumentos.

Imbatível na lógica

dos processos petroquímicos.


Homem alemão, formado na dureza

Da guerra mundial: era o comandante.

Grupo dos “panzer”.


Passou o tempo, reencontro o Ludovico:

“- Plinio, a Petrobrás joga gás

do Juruá fora; tenho um projeto

para aproveitar esse gás:

Vamos fazer metanol – tecnologia da Lurgi.”


Sempre com idéias,

Soluções brilhantes,

sem abrir mão

de sua opinião e

dos seus sonhos de progresso.


Hoje o Ludovico

na fronteira dos 90 anos,

continua pensando:

nada de Mal de Alzheimer!

Depois de sobreviver à guerra

(já se viu?) fratura o seu fêmur no Brasil!


Admiro o Ludovico Frindian,

desde 1968.

Hoje sou “seu mais novo

amigo de infância”.


Ludovico, venceremos a 3ª Guerra!

Essa é a do progresso do Brasil!

Meu bravo alemão, ainda temos tempo.

Que são 90 anos pra nós?

Levanta-te e anda ! Hoje temos

Reunião na Petrobrás !

Parabéns, meu amigo Ludovico.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O PASTOR CHEGA

Ouve-se a campainha tocar.
Tuquinha. Veja quem chegou.
Vó é o Pastor Luiz !
Manda subir o Pastor
É bem chegado.

Está só ou veio com a
Débora e os filhos?
Esta só, mas traz uma mala grande !
Será que ele vem morar aqui,
Pergunta preocupado o Plinio.
Sempre se dá um jeito, diz D.Iolanda.

Ó glória! exalta o Pastor,
Fugitivo da droga e salvo por Jesus !
Parece um ser comum ! Nem parece Pastor.

Cadê a Bíblia Luiz?
Com sua camiseta “regata”
e porte atlético diz:
Minha Bíblia é a “palavra”
e o meu testemunho.
Ó Glória!

Faz um discurso brilhante,
defendendo os excluídos.
Como é difícil um Pastor
ganhar a vida honestamente,
só pregando os ensinamentos de Jesus!
Afinal tem mulher e 3 filhos.
Linda e lindos !

De imediato, nos cede livros,
CD(s) e DVD(s) do seu trabalho.
Em troca, garantimos a feira do mês.

Vá Luiz, vá pregar
porque Jesus voltará !
Os humildes precisam
da sua motivação para vencer.
Ó Glória! Jesus está em nossos corações.
Enquanto houver amor, há salvação.
Salve o Pastor Luiz !

sábado, 28 de agosto de 2010

MEU PASSARINHO

Armadilha preparada no chão,

alçapão armado com

milhos espalhados.

Peguei o passarinho,

lindo: amarelo e vermelho!

Cantava ou reclamava, lindo!

Amarrei no seu pé um barbante.

Comprido bastante pra controlar

o seu voar.

O barbante esticava e puxava

a liberdade do passarinho que

só queria voar e cantar.

Seu olhar implora: deixe-me voar!

Pensei nos barbantes que nos amarram

e são tantos!

Cortei: soltei e ouvi cantar.

Agora sou eu!

Meu passarinho vive a cantar!

Solte seus passarinhos,

a liberdade é de todos!